segunda-feira, outubro 24, 2005

Os Irmãos Grimm


Os verdadeiros Will e Jake Grimm eram escritores alemães que viveram no século XIX e trouxeram para a modernidade histórias como Chapeuzinho Vermelho, Bela Adormecida e João e Maria, dando a elas características de história infantil. Mas este filme de Terry Gillam não pretende contar a biografia da dupla. Apenas pega carona no fato de eles terem "criado" contos mundialmente famosos para mostrar uma história cheia de aventura, belos efeitos especiais e um toque de humor. Essa explicação é imprescindível para que se possa entender o filme e, também, para que se possa perceber as alusões às tais histórias. A particição de Monica Belucci, como uma rainha vaidosa e ambiciosa, limita-se à parte final do filme e não mostra nem um pouco o seu talento. Ela apenas empresta sua beleza à personagem. A atuação de Heath Ledger é surpreendente para um ator que tem no currículo filmes como "10 Coisas Que Eu Odeio Em Você" e "Coração de Cavaleiro". Ele faz, de maneira bastante correta e convincente, um Jake frágil e crédulo nas próprias histórias que inventa ao lado do irmão. Certos momentos de humor aparecem aqui e alí, sob forma de gritos histéricos e sustos dignos de comédias pastelão, que acabam quebrando um pouco do clima pesado da narrativa. Os efeitos especiais convecem e a fotografia das cenas feitas na floresta é ótima. Vale a pena assistir.

quarta-feira, outubro 19, 2005

No ceará music do ano passado, a minha estadia no lugar foi mal-aproveitada. Após o show do Los hermanos, fui para perto do mar e fiquei por lá até ter vontade de ir embora. Desta vez decidi andar e analizar o que acontecia ao meu redor. Por exemplo, um rapaz passou carregado por 4 pessoas. Estava com os olhos revirados e de boca aberta. Aquela não era aparência de quem estava simplesmente em coma alcóolico. Por onde quer que eu andasse, o cheiro de maconha ardia no meu nariz. Vi mais alguns caídos no chão, outros vomitando, uns tantos enchendo o saco de quem passava. Aí fica a pergunta: pra quê tudo isso? Se você nem se diverte e nem deixa os seus amigos se divertirem? Qual o a vantagem de usar drogas nessas situações? Uma vez um rapaz me disse que bebia para ficar feliz. Sinceramente, eu tenho pena de gente assim.

Depois um cara de uns 100kg passou numa maca, com o pé torcido. Tinha uns 6 homens carregando-o e ainda procuravam por mais ajuda. Havia muitas meninas de salto fino ou tamanco, achando que ficariam bem com esses calçados no meio daquela esculhambação. As filas para comer eram enormes e confusas. Os preços eram absurdos. Um pão-bola* partido no meio com um hambúrger semi-cru dentro custava 3 reais. Uma latinha de refrigerante, outros 3. Aí, depois de comer, fui para a frente do palco 2 para descansar. Fiquei deitada na grama, observando pessoas serem arremessadas ao alto por uma espécie de cabo elástico. Não sei se foi culpa do cansaço ou da maconha que eu fumei passivamente no show do Los Hermanos, mas acho que vi o Benny Benassi* passando com um hambúrger.

Lá pelas tantas o locutor anunciou o show do Leela. Como não tinha nada mais emocionante para fazer, decidi assistir. Até que o som deles funciona ao vivo. Mas quando você pára para pensar prestar atenção nas letras, fica com vontade de ir embora. E aquela pose de "eu sou a gostosa" da Bianca Jordão me irritou profundamente. Mas valeu pela oportunidade de poder mangar* das patricinhas que cantavam empolgadas, achando que aquilo era rock. Só que, o que mais me surpreendeu, foi a quantidade de conhecidos que eu encontrei enquanto transitava pelas 30 mil pessoas presentes no lugar. Nada que se compare à visão de Marcelo Camelo rebolando, é claro.

*Benny Benassi: DJ italiano.
*Mangar: tirar sarro, tirar onda.
*Pão-bola: pão em formato redondo, utilizado para fazer hambúrger.

segunda-feira, outubro 17, 2005

O show do Los Hermanos foi ótimo. Eles tocaram por uma hora e o público recebeu bem as canções do "4", apesar de que elas não foram tão cantadas quanto as do Ventura e as do Bloco. Mesmo assim elas foram bem cantadas e emocionaram bastante os fãs. Eu confesso: surtei. Não sei o que me deu, mas chorei em "Dois Barcos", me acabei de cantar em "Retrato Pra Iaiá", dancei em "Paquetá" e pulei o mais alto que pude em "Condicional". O lugar estava absurdamente lotado (talvez por culpa da Pitty) e o calor era insuportável. Tanto que aproveitei a calma de "Fez-se Mar" para sair do meio da multidão e ir para o lado do palco, onde pude me divertir melhor. A banda parecia feliz e bem disposta, agitaram bastante e demonstraram mais maturidade no tocante à execução das canções e à postura. Falaram pouco e tocaram muito. A cena marcante do show foi o Marcelo rebolando ao som de "Paquetá", enquanto que fazia percussão. Foi algo inesquecível. Eles prometeram um show para janeiro, o que significa turnê no nordeste. Pela primeira vez no Ceará, a guitarra do Amarante não teve uma corda quebrada e eles ficaram nitidamente satisfeitos com o show. E o imbecil do repórter (ir)responsável ainda disse que os fãs não tinham curtido o "4"...

Set list (não nessa ordem):

Todo Carnaval Tem Seu Fim
A Flor
Retrato Pra Iaiá
Sentimental
O Vencedor
Último Romance
Cara Estranho
Além Do Que Se Vê
Dois Barcos
Primeiro Andar
Fez-se Mar
Paquetá
O Vento
Condicional
Sexta teve show do Los Hermanos por esses lados. Primeiro da turnê do "4". Uma semana antes, recebi um email da redação da "revista do ceará music" (o show do LH foi nesse festival) dizendo que eles precisavam de cinco fãs (e somente cinco) para entrevistar a banda para a revista. Convoquei quatro amigos e às 15hs estávamos todos no hall do hotel onde os barbudos (sim, estavam todos barbados) haviam se hospedado. Esperamos mais de duas horas pelo nosso momento com o LH e as expectativas eram grandes. Queríamos abraços e muitas fotos. Quando finalmente chegou a nossa hora, o rapaz responsável por tudo disse que seriam, no máximo, vinte minutos e que cada um de nós só poderia fazer uma pergunta. Imaginamos que foi culpa do Alex, o produtor, e ficamos meio tristes. Nada que não fosse superado pelos vinte minutos surreais que tivemos.

O tal responsável gravou tudo, mas a gente não pôde fazer o mesmo. Espero conseguir uma cópia dessa fita, porque é evidente que nem tudo vai sair na revista. Eu não lembro de todas as perguntas que ele fez, só lembro que eram imbecis. É desse tipo de jornalista que eu gosto! O cara demonstrou que não sabia o básico sobre o LH e ainda pagou mico. Uma das perguntas que eu lembro foi "a crítica falou muito bem do '4', mas os fãs não gostaram. Como é lidar com as críticas vindas dos deles?", no que o Bruno deu uma resposta longa e meio evasiva, batendo novamente na tecla de que o envolvimento do fã deve ser com a música e não com a banda. Nem eu entendi direito o que eles quis dizer, talvez culpa da pergunta mal-formulada. Outra era "no que o ceará music foi importante na carreira de vocês?". O Amarante não conseguiu responder. Enrolou, enrolou e no final disse que a pergunta era difícil. Mas é claro que era! Porque o ceará music não acrescentou PN* na carreira da banda. A última que eu lembro era coisa do tipo "quando vocês foram tocar no Abril Pro Rock vocês pagaram do próprio bolso para ir até lá. O que mudou de lá pra cá?". O cara ainda soltou "nos anos 90, quando vocês foram tocar...", no que o Bruno ironizou a expressão, dizendo que parecia que fazia muito tempo. Aí o Marcelo, na sua sabedoria, respondeu "não mudou nada, a gente às vezes ainda paga pra fazer show". E o Amarante completou dizendo que "quando dá muita gente é que nós saímos com dinheiro". Um detalhe curioso é que eu ganhei um "tchauzinho" do Alex antes da entrevista.

Nós éramos seis e o imbecil do jornalista nem percebeu que tinha um a mais. Era a Patrícia, que conseguiu entrar no hotel sem ser percebida pelos seguranças (mais um ano de desleixo...) e ficou perto da gente. Ela só queria uma foto com o Marcelo e outra com o Amarante. Quando o Marcelo passou, nós duas fomos atrás, mas ele andava apressado. Aí ele parou e olhou pra trás. Eu fiz sinal para ele vir para onde a gente estava (muita audácia) e ele fez sinal para a gente ir onde ele estava. Chegando lá ele disse "eu vi vocês duas tímidas, sem querer se aproximar...". Existe pessoa mais fofa que essa? Depois chegou o Amarante com uma caixa no ombro, parecendo um estivador. O pessoal que pedia pra tirar foto com ele dizia "fica com a caixa" e o coitado atendia, sofrendo com aquele peso. A Patrícia tirou uma foto ótima que depois eu coloco no meu fotolog. Lá pelas tantas ela me perguntou se dava pra ela só olhar a entrevista. Eu disse "fica por aí, se finge de besta e quando a gente for, você vai junto". Pois não é que ela foi com a gente, o cara (ir)responsável nem percebeu e ela ainda fez pergunta?

As nossas perguntas foram as seguintes:
- Wallace: A cada disco se percebe uma diferenciação entre o estilo de compor do Marcelo e do Amarante. No que isso pode ser bom, ou ruim, para a banda?
Marcelo: Aguarde e você verá.
- Eu: O que vocês sentem quando vêem o que a música de vocês provoca na platéia?
A resposta do Amarante foi bem longa, talvez a maior, e um resumo básico é de que eles falam pouco nos shows exatamente por isso, porque eles ficam muito emocionados com essa reação da platéia.
- Patrícia: Qual a opinião de vocês sobre esse culto ao Los Hermanos, comparado pela imprensa ao culto à Legião Urbana?
Resumindo a resposta do Bruno, ele disse que toda forma de culto é ruim.
- Graziela: Roberto Carlos disse uma vez que um disco dele nunca está terminado, que ele só entrega porque tem que entregar. Vocês também sentem isso?
A resposta do Amarante foi que sim, eles também sentem isso. Só que ele falou mais coisa que eu não lembro direito. Só conseguia olhar para as dobrinhas* do Bruno...
- Pedro: Vocês todos concordam com o que o Bruno disse, que o envolvimento dos fãs deve ser com a música e não com a banda?
Eu entendi que era para os outros três darem as suas opiniões, mas foi o Bruno que explicou - e novamente - sobre essa tese dele. Disse que as pessoas querem mais, querem saber da vida pessoal do artista, e não deveria ser assim.
- Denis: E o "4" em vinil, quando sai?
Eles se entreolharam e depois olharam pro Alex, que estava do lado. E ele respondeu "tá saíndo".
Marcelo: Ele sempre diz isso e nada.
Amarante: É que a gente começou a viajar e aí...

Depois o fotógrafo pediu para que eles se juntassem para uma foto. A gente, claro, pediu para tirar foto todo mundo junto, e eles disseram "um de cada vez". Então fomos lá, um por um, sentar entre o Marcelo e o Amarante, pra tirar a foto. Quantas pessoas têm uma foto com os quatro juntos? Eu tenho! Eu saí de cabeça baixa porque a moça tirou a foto na hora que o Marcelo disse "vamos ficar com os pés iguais". E ela cortou os nossos pés. Eles foram o mais gentil que vocês podem imaginar. À exceção do Bruno, claro, mas foi assim que a gente aprendeu a ama-lo. O Marcelo e o Amarante ficaram fazendo palhaçada na hora das fotos, foram muito anteciosos quando dos autógrafos, deram "tchau" ao ir embora. O Barba foi daquele jeito que a gente já está acostumado, tratou todo mundo como se fossem amigos dele. E o Bruno sumiu depois dos autógrafos. Eu ainda esbarrei nele quando fui falar com o Marcelo... Preciso confessar uma coisa pra vocês: eu quero um Bruno Medina pra mim. Ele é todo gordinho, todo fofinho, todo peludinho, parece um ursinho de pelúcia ambulante. Ele já tem cabelos brancos. Alguns poucos fios perdidos, é verdade. O Amarante também. E o Marcelo está muito seqüelado*! Quando ele sentou, colocou a carteira de Free na mesa. Aí fastou-a pra perto dele. Depois ficou segurando. Deve ter ficando com medo de alguém rouba-la, sei lá. E ainda ofereceu um cigarro pro Amarante, que recusou. É viciado e fica querendo levar os outros pro vício. Eu, hein!

O que posso dizer sobre essa entrevista é que ela foi muito mal-organizada, que o repórter era um imbecil como repórter (eu teria feito muito melhor) e que a gente se divertiu pra caramba. Como eu disse lá em cima, foi um momento surreal, inesquecível. E sim, nós nos comportamos como fãs do LH, não tivemos ataques hiséricos nem crise de choro e não agarramos os barbudos (quer dizer, eu tentei agarrar o Bruno, mas ele não se deixou agarrar). O Amarante disse que as nossas perguntas foram ótimas. Talvez uma ironia direcionada ao tal repórter (ir)responsável por tudo. Eles pareciam felizes. Como diria Caetano, foi lindo.

*Dobrinhas: gorduras localizadas acima dos quadris, entre as costas e a barriga.
*PN: porra nenhuma
*Seqüelado: desleixado, mal-cuidado, com aparência de doente.

sábado, outubro 15, 2005

Morram de inveja!
Gente, eles são o mais simpáticos que vocês podem imaginar.
Denis, Graziela, eu, Wallace, Pedro e Daniel. Na expectativa dos hermanos.
Cadê os roadies do Los Hermanos?

Tenho um texto pronto sobre a entrevista e o show. Mas o meu word deu pau, então, com sorte, eu coloco amanhã.

segunda-feira, outubro 10, 2005

Interpol - Antics

O Interpol foi a primeira banda dessa moda "neo-oitentista" a aparecer. O diferencial desse quinteto norte-americano é que, além das óbvias influências de bandas como o The Smiths e cia, eles foram buscar no Joy Division o elemento principal para a construção do seu som. A mítica banda de Manchester, que influenciou todo o rock dos anos 80, aparece por todo este álbum: nas guitarras, no baixo pulsante e até nos vocais de Daniel Kessler, que seriam uma mistura de Morrissey com Ian Curtis. Antics é um disco tristonho, por vezes depressivo, com um sintetizador que sempre aparece nos momentos "suicídas" do disco, talvez para atiçar ainda mais o desejo de cortar os pulsos que algumas das canções parecem querer transmitir. O Interpol é uma das poucas bandas desse leva retrô que pode se firmar. Resta esperar pra ver.

quarta-feira, outubro 05, 2005


Bloc Party - Silent Alarm

O Bloc Party é mais uma banda que surge nessa onda de revival do anos 80. E, assim como o Kaiser Chiefs e o Interpol, o som dos caras tem os dois pés fincados no rock de gente como o The Cure e o The Smiths. Mas o quarteto inglês bebeu na mesma fonte do Franz Ferdinand para fazer esse seu primeiro trabalho, com o diferencial de que fazem um som menos divertido e de que o peso das guitarras é mínimo. Canções como "So Here We Are" poderiam muito bem figurar num álbum da banda de Robert Smith, ou mesmo num do REM. Aliás, o vocalista Kele Okereke tem um timbre vocal muito semelhante ao do já citado cantor do The Cure. O Bloc Party faz um som coeso e agradável, com forte influência dos anos 80 e, ao final da audição deste disco, fica a pergunta: até onde essas bandas neo-oitentista conseguirão ir?

domingo, outubro 02, 2005



Arcade Fire - Funeral

O sexteto canadense lançou esse seu primeiro trabalho após apenas um ano de existência. E estão de malas prontas para tocar no Tim Festival em outubro. O EP homônimo, lançado em 2003 de maneira absolutamente independente, chamou a atenção para essa banda que se auto-intitula "indie" e que faz um som tão diferente quanto os intrumentos que usa. Acordeon, xilofone e violinos, além de sintetizadores, dão o mote a canções tristonhas, com um clima retrô-oitentista, que falam de morte e solidão. O casal Win Butler e Régine Chassagne se reveza nos vocais, sendo que a moça canta duas das mais belas faixas do álbum: "Haiti". que fala dos tempos em que ela morou nesse país e "In The Back Seat", que fala sobre como é legal ficar no banco de trás de um carro e não ter que se preocupar com nada. Um detalhe curioso é que a voz de Régine é exatamente igual a da islandesa Björk. Pode até confundir os ouvintes mais incautos. O Arcade Fire faz um som denso e de profunda beleza, são bastante criativos ao misturar o rock anos 80 com elementos da música folk e já chamaram a atenção de David Bowie (que recentemente se juntou ao grupo numa apresentação nos Estados Unidos) e do U2 (que tem tocado a canção "Wake Up" na sua mais recente turnê). Vale a pena dar uma conferida.