segunda-feira, setembro 26, 2005

Kings Of Leon - Youth & Young Manhood

Uma banda americana, proveniente do sul desse país, formada por três irmãos e um primo que cresceram em meio à um universo caipira. Advinha qual o som que eles fazem? Country. Esse primeiro trabalho do Kings Of Leon não passa de country misturado com rock 'n' roll - coisa que a maioria das bandas americanas da virada dos anos 60 para os anos 70 fazia. Aliás, o som do quarteto é incrivelmente saudosista. A imaturidade dos integrantes (a média de idade deles é de 21 anos) às vezes torna as canções repetitivas. Mas no conjunto geral, é um bom disco, apesar de que para quem não está familiarizado com esse tipo de som, ele possa soar chato. Os vocais de Caleb Followill são péssimos. Sua voz é rouca, desafinada, sem feeling e lá pela metade do álbum o ouvinte começa a ficar aborrecido. Nada que seguidas audições não resolvam. Cuidado na hora de baixar as canções desse disco, caso você decida fazê-lo: as faixas "Red Morning Light" e "Molly's Chambers" não denun-ciam o real caráter do trabalho. Baixando somente essas duas, você pode pensar "poxa, o Kings Of Leon é foda". Não é bem por aí. A banda se apresenta no Brasil em outubro, no Tim Festival. Eis uma bela oportunidade de ver qual é a dos caipiras.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Vícios redibitórios. Minha amiga Erika sabe o que é isso. Estou com esse termo na minha cabeça. Até sonho com ele. Sim, pessoas, eu voltei ao Direito e, pelo andar da carruagem, só saio formada. Eu simplesmente odeio esse troço e a visão do futuro me aterroriza. A visão de que eu terei que enfrentar esse monstro que eu julgava vencido. Por causa dele ando desmotivada, sem vontade de estudar, fico horas na internet ou passo a tarde ouvindo Franz Ferdinand. Por mais incrível que pareça, eu ainda não enjoei dos escoceses. Voltando ao Direito, esse é o tipo do curso que só faz quem gosta, porque se não gostar, acaba que nem eu, desmotivada e querendo desistir. Porque só mesmo o amor pra fazer alguém achar graça nos vícios redibitórios. Qualquer dia desses pergunto à Erika como ela consegue estudar Direito, estagiar na Procuradoria, manter-se à par dos assuntos do universo hermaníaco (ela mantém um blog com informações sobre o Los Hermanos) e alimentar um blog pessoal. E ainda ser fã do Wonkavision. Eu não estou conseguindo estudar Direito, Jornalismo, manter um blog e ser fã do Franz Ferdinand. Sim, porque ser fã do Franz Ferdinand (ou um ferdifan, como eu acho mais bonitinho) é tarefa complicadíssima. Outro dia descubri que há um show inteiro deles para ser assitido no site da Radio 1. Ou seja, ele não pode ser baixado e eu terei de ir à casa do meu amigo Wallace perder 1 hora e 15 minutos. Porque se fosse possível baixar, eu veria de 20 em 20 minutos, todos os dias, até acabar, que é como eu faço com os DVDs e vídeos que eu adquiro por aí. Retornando ao Direito, às vezes eu acho que terei que trabalhar nessa área, porque jornalista não ganha dinheiro. E eu cansei de viver na pindaíba. Se bem que se eu for jornalista de televisão, quem sabe um dia eu chegue a ser correspondente internacional. Na verdade, eu acho que tudo não passa de um colapso. É muita coisa para eu guardar no cérebro. O bichinho deve estar cheio.

Eu quero paz! Eu quero passar os dias a ver televisão e ouvir Franz Ferdinand. Se bem que eu fiz isso nas férias e achei tudo um grande tédio depois de 15 dias. Será que se eu largasse o Direito, eu saíria dessa crise? E pra quem não sabe o que são os vícios redibitórios, aí vai uma explicãção de uma aluna não muito aplicada:

Vícios redibitórios são defeitos no objeto adquirido por meio de um contrato, sem prévio conhecimento de quem adquiriu o tal objeto. Você compra uma casa e acredita que ela está em perfeito estado. Algumas semanas depois percebe que o teto tem goteiras. Nesse caso, você pode pedir à pessoa que vendeu a casa um ressarcimento por conta das goteiras ou um desconto no preço pago pela casa, que será devolvido a você. Simples, né?

segunda-feira, setembro 19, 2005

Ontem à noite teve um assalto na casa defronte a minha. Um daqueles assaltos que aparecem na TV, tipo "casa é invadida por 6 bandidos armados". Sim, a tal casa foi invadida por 6 bandidos armados. Foi por volta das 18:30hs, exata hora que eu estava saíndo para ir à casa de um amigo. Não percebi nada, e fiquei apavorada quando soube. Os bandidos levaram o que conseguiram colocar dentro da Blazer do dono da casa, desde computador à aparelhos eletrônicos, passando por roupas e um faqueiro. Como se diz na gíria, fizeram "o limpa". Na minha casa só tem mulher, agora que meu pai morreu, e é natural que eu fique me sentindo desprotegida. Mas o que mais me chateia nessa história toda é que a minha cidade, que era tão calma e tranqüila, está ficando perigosíssima. Há uns 3 anos ainda era possível ficar conversando na calçada da sua casa até 22hs, quiçá 23hs. Hoje, fazer isso, é pedir pra ser assaltado. O meu bairro era um dos últimos redutos pacíficos da cidade e agora sempre que volto da faculdade, lá pelas 21:30hs, sozinha, ando num passo apressado e olhando para todos os lados. Aí fica a pergunta: de quem é a culpa? Talvez a solução fosse mais investimento na segurança pública, mas não seria o caso de investir na educação? Porque só rouba quem não tem mais nenhuma opção para sobreviver. Quem não tem estudo e não pode arrumar um emprego decente. E não tem estudo porque os pais eram pobres e não tinha dinheiro suficiente para prover o lar. E os pais eram pobres porque não conseguiam arrumar um emprego decente. Porque não tinham estudo. É uma cadeia, um círculo vicioso. Será que ele tem fim?

terça-feira, setembro 13, 2005





Franz Ferdinand - You Could Have It So Much Better

O segundo trabalho do Franz Ferdinand mantém o mesmo nível do anterior, sem ficar devendo nada. É um disco bem dançante, pesado em algumas ocasiões, essencialmente melódico e talvez menos pop. Ao longo da audição sente-se a falta de canções matadoras como "Jacqueline", "Take Me Out" e "Michael" e isso pode ser prejudicial na aceitação do disco. Ou não. Porque na maioria das faixas os escoceses conseguiram colocar toda o vigor e energia que mostram ao vivo. O produtor Rich Costey colocou Alex Kapranos para cantar e aumentou o volume das guitarras. Este é um álbum mais homogêneo e mais maduro que o anterior; também é menos pretensioso e mais ousado. Ponto pra eles.

Análise faixa a faixa:

The Fallen: não foge do estilo do álbum anterior, com paradinha, lalalas e uuuuuus. Bem pesada e dançante. Até o momento, este será o segundo single.*Do You Want To?: bastante dançante, divertida, menos pesada e mais solta que a faixa anterior. Este é o primeiro single, cujo clipe é ótimo.
This Boy: inicia com um riff matador, ao melhor estilo The Clash. Os vocais de Alex Kapranos aparecem com efeitos, e a canção perdeu o solo da versão anterior, substituída por uma repetição exagerada da frase "I wanna a car". Mesmo assim é uma das melhores.
Walk Away: a versão acústica dessa canção é simplesmente perfeita, muito emocionante. A versão rock nem tanto, mas é igualmente linda. Ela poderia ser um pouco mais rápida.
Evil And A Heathen: um punk dançante, com paradinhas, muitas viradas e efeitos na voz de Kapranos.
You're The Reason I'm Leaving: outra que não foge do estilo do álbum anterior, lembrando bastante canções como "Jacqueline" e "This Fire". O teclado a deixa bem melódica e o clima é gostoso.
Eleanor, Put Your Boots On: balada bastante parecida com as que John Lennon fazia nos Beatles. Os vocais de Kapranos aparecem diferentes, rementendo bastante aos do ex-beatle. O guitarrista Nick McCarthy mostra seus dotes como pianista e o resultado é delicado e bem diferente daquilo que estamos acostumados a esperar do Franz.
Well, That Was Easy: exatamente igual à versão ao vivo que já circula pela internet há vários meses, inclusive nas paradinhas, aumento do ritmo, uuuuuus e tchururus.
What You Meant: canção até bem longa para estrutura difícil que tem. Não possui riff, nem refrão, mas as quebras no ritmo a suavizam.
I'm Your Villain: também igual à sua versão ao vivo. O aumento do ritmo e as paradinhas quebram um pouco da monotonia, e o resultado ficou divertido.
You Could Have It So Much Better: ao vivo essa canção deve crescer bastante. Ela é pesada, dançante, melódica e tem um riff ótimo. Lembra bastante o álbum anterior.
Fade Together: balada com violão dedilhado e piano. Se tivesse cordas, seria uma canção do Belle & Sebastian. Tem um clima anos 60 e deve desagradar os fãs mais ortodoxos.
Outsiders: a canção mais dançante do disco, com guitarra suingada, teclados e bateria desmarcada. Lembra os experimentos que a banda fazia no início da carreira, como a demo "Can't Stop Feeling".

O lançamento deste disco será no dia 03 de outubro.