segunda-feira, novembro 28, 2005

Otto - Sem Gravidade

O cantor e compositor pernambucano faz nesse seu quarto trabalho um som absolutamente brasileiro, com toques de rock e música eletrônica. Percussões preciosas e barulhinhos permeiam toda o disco, deixando-o ainda mais rico. As letras não são lá essas coisas, mas os belos arranjos e melodias diminuem um pouco desse defeito do trabalho. A mulher do cantor, Alessandra Negrini, canta a faixa "História de Fogo". Todos sabem que o amor é lindo, mas tudo tem um limite. E, no caso do Otto, o limite é colocar a moça pra cantar no seu disco só porque os dois são casados. Ela canta mal pra burro, a sua participação não faz o menor sentido. Mesmo assim, o resultado final é satisfatório.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Joss Stone - Mind, Body And Soul

Se você não gosta de música negra, passe longe desse disco. A bela faixa de abertura, "Right To Be Wrong", talvez seja a melhor canção deste segundo trabalho da cantora inglesa. O que se segue são canções que remetem à Lauryn Hill, Mary J. Blige e outros expoentes femininos do chamado R & B. O reggae "Less Is More" aparece para atenuar um pouco da monotonia do álbum. Joss continua cantando extremamente bem; ela faz tudo direitinho. A sua respiração, um pouco mais forte nos momentos certos, deixa as suas interpretações ainda mais emotivas. O resultado final não é de todo ruim, apenas não foge do lugar comum. Atenção para a faixa não creditada, que vem logo após "Sleep Like A Child", onde Joss canta divinamente, acompanhada apenas de um piano.

domingo, novembro 13, 2005

Pitty - Anacrônico

Ouvindo este disco, você até que esquece um pouco da figura asquerosa e repulsiva que a cantora baiana é. O que faz com a audição fique livre de preconceitos e de outras coisas previamente estabelecidas. Mesmo assim, as impressões não mudam. O álbum, em si, é muito igual. Existem poucas variações, poucas mudanças de ritmo. Pitty escolheu não sair do lugar comum, provavelmente para não chocar o seu sensível público. As canções são até bem pesadas, mas sem riffs, solos ou qualquer outra coisa que faça o diferencial. O medo de arriscar, de fazer o novo, vagueia todo este trabalho. É claro que ela fez direitinho o dever de casa estabelecido pelo seu querido produtor, o não menos repulsivo Rafael Ramos. Estão aqui tudo o que fizeram a fama da moça: canções mais pesadas, canções nem tão pesadas, baladas rock, letras pessoais e com as quais todos podem se identificar (e que nem por isso deixam de ser horríveis). Tudo dentro da esfera do rock, em sua mais absoluta interpretação, é claro. A coitada continua cantando pessimamente. Era de se esperar que a experiência ao vivo fizesse com que ela melhorasse um pouco. Mas não, ainda estão aqui aquela absoluta falta de fôlego e aquela desafinação primária que, talvez, ela ache serem bacanas. Ela também acha que cantar rock com sentimento é berrar feito um ogro. O fato é que há coisa muito pior sendo feita por aí no rock brasileiro. Mas será só por causa disso que ela foi (e ainda é) apontada como "a salvação do rock nacional"? Por que será que a mídia não olha com um pouco mais de atenção para o que está sendo feito à margem da MTV? E percebe que a Pitty é uma bela porcaria, feita sob encomenda para os adolescentes fãs de Avril Lavigne e Evanescence?

domingo, novembro 06, 2005

Black Rebel Motorcycle Club - Take Them On, On Your Own

O BRMC sabe usar o que de melhor o Guns 'N' roses fazia (se é que havia alguma coisa boa nessa banda) para compor seu som, que também tem influências de Stone Roses e Oasis. O quarteto norte-americano foge da atual "fórmula fácil de sucesso" - o rock anos 80 - e faz um rock vigoroso, com guitarras distorcidas, bons riffs e efeitos nos vocais de Peter Hayes. Por vezes lembra uma banda de hard rock qualquer dos anos 70, por vezes parece um Velvet Revolver livre dos clichés. Mais uma banda que, se ficar atenta, tem tudo para se firmar no panteão do rock.