segunda-feira, outubro 17, 2005

Sexta teve show do Los Hermanos por esses lados. Primeiro da turnê do "4". Uma semana antes, recebi um email da redação da "revista do ceará music" (o show do LH foi nesse festival) dizendo que eles precisavam de cinco fãs (e somente cinco) para entrevistar a banda para a revista. Convoquei quatro amigos e às 15hs estávamos todos no hall do hotel onde os barbudos (sim, estavam todos barbados) haviam se hospedado. Esperamos mais de duas horas pelo nosso momento com o LH e as expectativas eram grandes. Queríamos abraços e muitas fotos. Quando finalmente chegou a nossa hora, o rapaz responsável por tudo disse que seriam, no máximo, vinte minutos e que cada um de nós só poderia fazer uma pergunta. Imaginamos que foi culpa do Alex, o produtor, e ficamos meio tristes. Nada que não fosse superado pelos vinte minutos surreais que tivemos.

O tal responsável gravou tudo, mas a gente não pôde fazer o mesmo. Espero conseguir uma cópia dessa fita, porque é evidente que nem tudo vai sair na revista. Eu não lembro de todas as perguntas que ele fez, só lembro que eram imbecis. É desse tipo de jornalista que eu gosto! O cara demonstrou que não sabia o básico sobre o LH e ainda pagou mico. Uma das perguntas que eu lembro foi "a crítica falou muito bem do '4', mas os fãs não gostaram. Como é lidar com as críticas vindas dos deles?", no que o Bruno deu uma resposta longa e meio evasiva, batendo novamente na tecla de que o envolvimento do fã deve ser com a música e não com a banda. Nem eu entendi direito o que eles quis dizer, talvez culpa da pergunta mal-formulada. Outra era "no que o ceará music foi importante na carreira de vocês?". O Amarante não conseguiu responder. Enrolou, enrolou e no final disse que a pergunta era difícil. Mas é claro que era! Porque o ceará music não acrescentou PN* na carreira da banda. A última que eu lembro era coisa do tipo "quando vocês foram tocar no Abril Pro Rock vocês pagaram do próprio bolso para ir até lá. O que mudou de lá pra cá?". O cara ainda soltou "nos anos 90, quando vocês foram tocar...", no que o Bruno ironizou a expressão, dizendo que parecia que fazia muito tempo. Aí o Marcelo, na sua sabedoria, respondeu "não mudou nada, a gente às vezes ainda paga pra fazer show". E o Amarante completou dizendo que "quando dá muita gente é que nós saímos com dinheiro". Um detalhe curioso é que eu ganhei um "tchauzinho" do Alex antes da entrevista.

Nós éramos seis e o imbecil do jornalista nem percebeu que tinha um a mais. Era a Patrícia, que conseguiu entrar no hotel sem ser percebida pelos seguranças (mais um ano de desleixo...) e ficou perto da gente. Ela só queria uma foto com o Marcelo e outra com o Amarante. Quando o Marcelo passou, nós duas fomos atrás, mas ele andava apressado. Aí ele parou e olhou pra trás. Eu fiz sinal para ele vir para onde a gente estava (muita audácia) e ele fez sinal para a gente ir onde ele estava. Chegando lá ele disse "eu vi vocês duas tímidas, sem querer se aproximar...". Existe pessoa mais fofa que essa? Depois chegou o Amarante com uma caixa no ombro, parecendo um estivador. O pessoal que pedia pra tirar foto com ele dizia "fica com a caixa" e o coitado atendia, sofrendo com aquele peso. A Patrícia tirou uma foto ótima que depois eu coloco no meu fotolog. Lá pelas tantas ela me perguntou se dava pra ela só olhar a entrevista. Eu disse "fica por aí, se finge de besta e quando a gente for, você vai junto". Pois não é que ela foi com a gente, o cara (ir)responsável nem percebeu e ela ainda fez pergunta?

As nossas perguntas foram as seguintes:
- Wallace: A cada disco se percebe uma diferenciação entre o estilo de compor do Marcelo e do Amarante. No que isso pode ser bom, ou ruim, para a banda?
Marcelo: Aguarde e você verá.
- Eu: O que vocês sentem quando vêem o que a música de vocês provoca na platéia?
A resposta do Amarante foi bem longa, talvez a maior, e um resumo básico é de que eles falam pouco nos shows exatamente por isso, porque eles ficam muito emocionados com essa reação da platéia.
- Patrícia: Qual a opinião de vocês sobre esse culto ao Los Hermanos, comparado pela imprensa ao culto à Legião Urbana?
Resumindo a resposta do Bruno, ele disse que toda forma de culto é ruim.
- Graziela: Roberto Carlos disse uma vez que um disco dele nunca está terminado, que ele só entrega porque tem que entregar. Vocês também sentem isso?
A resposta do Amarante foi que sim, eles também sentem isso. Só que ele falou mais coisa que eu não lembro direito. Só conseguia olhar para as dobrinhas* do Bruno...
- Pedro: Vocês todos concordam com o que o Bruno disse, que o envolvimento dos fãs deve ser com a música e não com a banda?
Eu entendi que era para os outros três darem as suas opiniões, mas foi o Bruno que explicou - e novamente - sobre essa tese dele. Disse que as pessoas querem mais, querem saber da vida pessoal do artista, e não deveria ser assim.
- Denis: E o "4" em vinil, quando sai?
Eles se entreolharam e depois olharam pro Alex, que estava do lado. E ele respondeu "tá saíndo".
Marcelo: Ele sempre diz isso e nada.
Amarante: É que a gente começou a viajar e aí...

Depois o fotógrafo pediu para que eles se juntassem para uma foto. A gente, claro, pediu para tirar foto todo mundo junto, e eles disseram "um de cada vez". Então fomos lá, um por um, sentar entre o Marcelo e o Amarante, pra tirar a foto. Quantas pessoas têm uma foto com os quatro juntos? Eu tenho! Eu saí de cabeça baixa porque a moça tirou a foto na hora que o Marcelo disse "vamos ficar com os pés iguais". E ela cortou os nossos pés. Eles foram o mais gentil que vocês podem imaginar. À exceção do Bruno, claro, mas foi assim que a gente aprendeu a ama-lo. O Marcelo e o Amarante ficaram fazendo palhaçada na hora das fotos, foram muito anteciosos quando dos autógrafos, deram "tchau" ao ir embora. O Barba foi daquele jeito que a gente já está acostumado, tratou todo mundo como se fossem amigos dele. E o Bruno sumiu depois dos autógrafos. Eu ainda esbarrei nele quando fui falar com o Marcelo... Preciso confessar uma coisa pra vocês: eu quero um Bruno Medina pra mim. Ele é todo gordinho, todo fofinho, todo peludinho, parece um ursinho de pelúcia ambulante. Ele já tem cabelos brancos. Alguns poucos fios perdidos, é verdade. O Amarante também. E o Marcelo está muito seqüelado*! Quando ele sentou, colocou a carteira de Free na mesa. Aí fastou-a pra perto dele. Depois ficou segurando. Deve ter ficando com medo de alguém rouba-la, sei lá. E ainda ofereceu um cigarro pro Amarante, que recusou. É viciado e fica querendo levar os outros pro vício. Eu, hein!

O que posso dizer sobre essa entrevista é que ela foi muito mal-organizada, que o repórter era um imbecil como repórter (eu teria feito muito melhor) e que a gente se divertiu pra caramba. Como eu disse lá em cima, foi um momento surreal, inesquecível. E sim, nós nos comportamos como fãs do LH, não tivemos ataques hiséricos nem crise de choro e não agarramos os barbudos (quer dizer, eu tentei agarrar o Bruno, mas ele não se deixou agarrar). O Amarante disse que as nossas perguntas foram ótimas. Talvez uma ironia direcionada ao tal repórter (ir)responsável por tudo. Eles pareciam felizes. Como diria Caetano, foi lindo.

*Dobrinhas: gorduras localizadas acima dos quadris, entre as costas e a barriga.
*PN: porra nenhuma
*Seqüelado: desleixado, mal-cuidado, com aparência de doente.